Madrasta usou agrotóxico proibido no Brasil para matar enteada de 11 anos em Cuiabá

Presa na manhã desta segunda-feira (9) por suspeita de matar a enteada de 11 anos, Mirella Poliane Chue de Oliveira, a mulher de 42 anos, cujo nome não foi divulgado, usou um agrotóxico de venda proibida no Brasil. O delegado da Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica), Wagner Bassi, disse que apesar da proibição, o pesticida pode ser encontrado no mercado clandestino.

Wagner Bassi afirmou que a mulher usou o carbofurano, um pesticida extremamente tóxico, usado no tratamento de sementes ou em aplicações no solo para evitar ataque de pragas. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impediu o uso no Brasil em outubro de 2017, após um estudo apontar que o produto deixava resíduos nos alimentos e trazia malefícios a saúde humana.

“As investigações apontam que ela era envenenada a conta-gotas. Uma quantidade muito pequena que não aparecia esse envenenamento. A vítima era levada ao hospital, permanecia internada por uma semana e melhorava, porque cortava seu envenenamento. Como era uma quantidade bem pequena, os médicos não suspeitavam de envenenamento”, afirmou o delegado em coletiva de imprensa da Deddica, na manhã desta segunda-feira (9).

A morte da garota aconteceu dia 14 de junho de 2019. A madrasta  foi presa temporariamente, por 30 dias. Após a morte, umas séries de exames foram feitos, pois a causa do óbito ainda era indeterminada. “Após esses exames, um estudo muito detalhado da Politec, conseguiu apurar que essa vítima foi envenenada. Fizemos todas as providências investigativas, todas as diligências e concluímos que o envenenamento teria ocorrido em virtude de uma indenização no valor estimado de R$ 800 mil reais, que começou a ser pago para a vítima no ano passado”, acrescenta.

A substância que era oferecida à garota provocava visão borrada, tosse, vômito, cólica, diarréia, tremores, confusão mental e convulsões.

Motivação

A madrasta teria matado a garota por conta de uma herança que ela recebeu, em decorrência da morte de sua mãe no parto, por erro médico. Parte do dinheiro, cerca de R$800 mil, ficou guardada para que Mirella só pudesse usar quando atingisse 24 anos.

A ação para receber a indenização foi movida pelos avós materno da criança, que ingressaram na Justiça pela indenização em 2009. O processo foi encerrado neste ano.

O pagamento da ação começou em 2019. Até 2018, a menina era criada pelo avós paternos. Em 2017, a avó morreu e no ano seguinte (2018) o avô faleceu também, e a garota passou a ser criada pelo pai e madrasta. A partir daí, começou o plano da mulher para matar a criança com o objetivo de ter acesso ao dinheiro.

A mulher foi ouvida após a morte da menina e contou que convive com o pai da vítima desde que ela tinha dois anos de idade e que se considerava mãe dela. Ela declarou que a enteada começou a ficar doente em 17 de abril de 2019, apresentando dor de cabeça, tontura, dor na barriga e vômito.